Revista
"Brasilia em Dia" de 16/9/2001.
Em 1996, publiquei o livro "Uma visão do mundo contemporâneo", em que,
no capítulo sobre terrorismo, previa para breve a chantagem internacional
desses grupos marginais, atingindo as grandes metrópoles de nações desenvolvidas,
pelo avanço da tecnologia e do poder econômico, que seus criminosos
líderes usufruiriam.
O livro editado, posteriormente, em Portugal e vertido para o russo
em 1999 e para o romeno, em 2001 "fui a seu lançamento em Bucareste
em abril deste ano" e mereceu de algumas das autoridades desses países,
considerações pessoais, em que manifestavam a mesma preocupação com
o terrorismo e o narcotráfico, inimigos sem face da humanidade.
Os Estados Unidos parecem não ter dado a devida importância a tais grupos,
mais voltados a criar uma imensa proteção aérea contra eventual "inimigo
com rosto", muito embora, desde a queda do Muro de Berlim, já não haja
adversário capaz de enfrentar, em campo aberto, a maior potência do
mundo.
Suas forças de inteligência perderam relevância, como ocorreu em Pearl
Harbour, no distante 1941, ano em que sua frota no Pacífico foi destruída
pelos japoneses, em ataque tão bem planejado quanto o atentado terrorista
de terça-feira.
Preocupados, seus dirigentes, com os grandes projetos de defesa contra
um inimigo, de rigor, inexistente, não deram a atenção devida aos pequenos
projetos de segurança e informação contra um inimigo real, que é o terrorismo
internacional e que tem flagelado a humanidade, com maior intensidade,
depois da 2a. guerra.
Hoje, todo o sistema de defesa e inteligência dos Estados Unidos tem
que ser repensado, como o de todos os países civilizados ou emergentes
de expressão.
O descuido e despreparo americanos, todavia, não significam que não
haverá reação.
Tem, o povo americano, demonstrado, através da história, imensa capacidade
de recuperação perante os desafios. Pearl Harbour foi uma vitória de
Pirro para os japoneses, pois, ao despertarem o gigante americano, perderam
a guerra.
No campo espacial, a derrota para o "Sputinik" em 1957, que deu aos
russos o privilégio do pioneirismo na exploração espacial, significou
a vitória americana, na corrida para a conquista do Universo, passando
seu rival, em 10 anos, com o pouso do primeiro homem na Lua.
Estou convencido que os americanos irão investir, pesadamente, nos serviços
de inteligência, como o farão os países desenvolvidos. Creio que até
mesmo o Governo brasileiro, que vem sendo atacado por obscuras e retrógradas
forças de esquerda, que desejam ver o país desarmado perante a subversão
e o "inimigo sem rosto", compreenderá que deverá investir na "inteligência"
e na "informação" para que não aconteça aqui, o que ocorreu nos Estados
Unidos.
Os pesados recursos que serão voltados aos serviços secretos das maiores
nações, certamente, multiplicarão os "James Bonds" da espionagem com
a possibilidade de detecção rápida dos núcleos de fascínoras e genocidas,
que se abrigam na vasta gama do terrorismo internacional, chaga tão
grande na humanidade quanto o narcotráfico. Alvim Tofler, em "Guerra
e Anti-guerra", já alertava para a necessidade de tais investimentos
fundamentais.
Nos próximos meses, é ainda provável que estes "desequilibrados mentais"
levem certa vantagem sobre os serviços de inteligência do mundo, mas
estou certo de que o atentado contra os Estados Unidos decretou sua
pena de morte, pois serão caçados, a ferro e fogo, em todo o globo e
por todos os governos de todos os países civilizados, nem podendo ter
abrigo naquelas nações que hoje os toleram, por medo de retaliações.
O macabro "show" do dia 11/9/2001 pode ter sido o início do fim de um
dos maiores flagelos da humanidade perpetrado sempre por seres, que
só na aparência são humanos, visto que são autênticos e selvagens animais.
SP., 12/09/2001.
IVES GANDRA DA SILVA MARTINS,
Professor Emérito das Universidades Mackenzie, Paulista e Escola de
Comando e Estado Maior do Exército, Presidente do Conselho de Estudos
Jurídicos da Federação do Comércio do Estado de São Paulo e do Centro
de Extensão Universitária - CEU.