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Recente
medida provisória do Governo, que procura garantir direitos fundamentais
de investigados, permitindo que seja dada publicidade aos atos investigatórios
apenas após manifestação judicial, tem sido interpretada como forma
de cerceamento da ação do Ministério Público no combate à improbidade
administrativa. A reação do Ministério Público levou a um abrandamento
do conteúdo normativo. Tendo
lido o diploma, não consegui visualizar real cerceamento a atuação do
“Parquet”, pois o que se veda é a publicidade que possa injustificadamente
afetar imagens de autoridades, prevendo que ela só será permitida após
passar pelo crivo sereno de um Poder neutro, que é o Judiciário. Em
nenhum momento, a medida proíbe as investigações ou a plena ação do
Ministério Público, vedando, apenas, o “vedetismo”, que tem caracterizado
as manifestações de alguns de seus membros --felizmente não da maioria
dos procuradores e promotores federais e estaduais. Mesmo
alguns jornais, que, em seus editorais, criticam a referida medida governamental,
reconhecem que tem havido abusos, até agora não punidos nem pela corporação,
nem pela Justiça. Por
outro lado, a ação mais leviana daqueles que buscam primeiro a manchete
dos jornais, esperando que execração pública venha facilitar suas tarefas,
do que o sério trabalho investigatório –cinco
deles revelaram perante o Congresso Nacional que, sem provas
consistentes, buscaram a imprensa para tentar fortalecer sua ação-,
na maior parte das vezes, dificulta a própria ação do “Parquet”,
pois
alertando os investigados, pode facilitar a eliminação de provas
essenciais à investigação. O
problema maior, todavia, reside no mal que a execração pública de uma
autoridade pode provocar, gerando instabilidade
e insegurança entre governantes e governados, com acusações que,
não poucas vezes, se mostram inconsistentes. Nada
mais legítimo, portanto, que um poder neutro
(o Judiciário)
avalie as possibilidades de se dar ou não divulgação às investigações,
tornando pública ou não, com base em seu poder de cautela, a solicitação
do Ministério Público de levar à imprensa as investigações que se processam. Entendo,
por outro lado, que a retirada de punição quantificada na medida provisória
foi acordo de bom senso, visto que, hoje,
a Constituição Federal permite responsabilizar o Estado por abusos
causados à sociedade, respondendo os membros do Ministério Público –instituição
que integra a entidade estatal--,
por culpa ou dolo, em suas ações. É
bom lembrar que o Ministério Público não tem, em face do Poder Judiciário,
função superior ou inferior à Advocacia, sendo seus membros, tal como
o advogado, representantes de classes essências à administração da Justiça.
E se algum integrante do Ministério Público for
acusado, por leviandade, corrupção ou incompetência, sua defesa
deverá ser feita, junto ao Judiciário, por um advogado. Como
permanente defensor do papel que o Ministério Público deve exercer na
defesa da cidadania --como o faz o advogado-- considero que a nova legislação,
já amenizada pela solução encontrada, vem valorizar a ação competente
daquele órgão, que não precisa da imprensa para atuar, pois sua função
é exercida fundamentalmente junto ao Poder Judiciário e não junto aos
meios de comunicação social. Quanto
mais o Ministério Público for eficiente e fugir ao vedetismo fácil que
a imprensa proporciona, tanto mais se valorizará perante a opinião pública,
como um dos autênticos defensores da cidadania.
SP., 18/01/01.
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