Artigos

 
O TRÂNSITO
Autor(a): Jacy de Souza Mendonça
Possui graduação em Direito pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul(1954) e doutorado em Direito pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul(1968). Atualmente é professor titular da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo e professor titular do Centro Universitário Capital

Nunca estive na Índia, mas todos os amigos que lá estiveram voltaram negativamente impressionados com o trânsito urbano. Dizem que ninguém obedece a regra de mão e contramão, misturam-se veículos leves e pesados com pedestres e animais (principalmente vacas). Um perfeito caos.

Não sei porque o espanto. Estamos indo na mesma direção. Depois que inventaram e instalaram o radares, só estes funcionam, porque são instrumentos de arrecadação, mesmo assim, a velocidade regulamentada só é obedecida nas proximidades desses aparelhos. Guarda de trânsito aparece apenas in extremis. Cada motorista faz o que bem entende; resolve o problema dele e outros que se danem. Ciclistas têm faixas próprias que retiram espaço das pistas, mas as ciclovias ficam às moscas. Motoqueiros se multiplicam como formigas e fazem todas as loucuras imagináveis entre os outros veículos, porque não há pista reservada para eles. Em uma síntese diabólica, há ciclovias para bicicletas que não existem e há motoqueiros sem que haja pista para eles. O piso das vias públicas vai melhorando na medida em que um buraco cresce até encontrar seu vizinho. O reparo de uma cratera dura até a próxima chuva. Os pedestres, copiando os motoqueiros, ameaçam os motoristas com a própria vida: não ligam para faixas privativas deles, são capazes de atravessar a pista a poucos metros de suas faixas, com total desprezo por elas. Mas na verdade a duração do tempo previsto para o pedestre concluir sua travessia é inferior ao que ele realmente necessita, mesmo sem ser um idoso ou ter alguma dificuldade de locomoção. Cada motorista estaciona seu veículo onde quer para resolver seu problema, despreocupado com o caos que está gerando para os demais; isso se algum flanelinha não for o proprietário da área. Mão e contramão são mais respeitadas entre nós, mesmo assim com brutais exceções. Os guardas de trânsito passaram à categoria de guardas de radares, ou seja, órgãos de arrecadação. O veículo que consegue se desviar com sucesso da buraqueira é surpreendido por uma calota que atravessa a via esburacada, a pretexto de reduzir a velocidade, mas trazendo como consequência os engavetamentos porque o veículo de trás não imaginava que o da frente necessitasse brecar. Há carência total de sinalização de roteiros, de forma que um estrangeiro é incapaz de dirigir qualquer veículo aqui – as ruas são nossas. Não há um padrão lógico de velocidade para as vias públicas e a mutabilidade dos sinais indicadores de limite de velocidade é tal que, se o motorista tiver sucesso em olhar para todos irá estropiar-se na traseira de outro colega de infortúnio. Pelo menos a terça parte do espaço de rolamento criado pelas vias públicas é utilizada como estacionamento gratuito.

Como ridicularizar o trânsito na Índia?

Visite o site e conheça os outros textos ** http://hotmail.us11.list-manage1.com/track/click?u=a261f482628a3ec69d32db0ba&id=7d290d0f08&e=ff5b31710a



Fonte: Autor
29/8/2017

Versão para impressão

 

 

ACADEMUS.PRO.BR - E-mail: academus@academus.pro.br
© Copyright 2001-2017 Academus.pro.br - Todos os direitos reservados