Artigos

 
PAÍS ATRASADO
Autor(a): Jacy de Souza Mendonça
*Possui graduação em Direito pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul(1954) e doutorado em Direito pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul(1968). Atualmente é professor titular da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo e professor titular do Centro Universitário Capital

Acabo de ler um ótimo livro presente de um grande amigo. Seu título é Por que o Brasil é um país atrasado? O autor, Luiz Philippe de Orleans e Bragança. Pouquíssimas vezes li uma obra que me agradasse tanto, pelo fato de aliar exuberante e atualizada riqueza de informação histórica a exposição tão agradável e acessível, acrescidas de tanta sabedoria política e econômica e tanto amor por nossa gente.

O autor é descendente direto da respeitável figura de D. Pedro II e dá sequência ao brilho cultural daquele ancestral. Empresário, é formado em Administração de Empresas, com mestrado em ciências políticas na Stanford University, nos EUA, e MBA na INSEAD da França. Tem também experiência em Bancos internacionais. Mas o que brilha em seu trabalho é acima de tudo o interesse pelo Brasil e por seu futuro.

Essencialmente, mostra como o mundo mergulhou no absolutismo de Estado, transferindo a este monstro político todas as atividades fundamentais ao desenvolvimento humano; em seguida, descreve a forma como esse mundo arrependeu-se de tal equívoco e caminhou em direção ao liberalismo político e econômico, reservando ao Estado apenas suas inalienáveis funções específicas, mas preservando ao cidadão a liberdade e o cuidado de tudo o mais. Assim o mundo evoluiu e cresceu.

Com relação ao Brasil, não hipervaloriza o período da monarquia, como seria de se esperar. Registra-a, sem sublimá-la. Destaca apenas os méritos da Constituição promulgada naquela época, preparada por José Bonifácio valendo-se das experiências liberais recolhidas de países mais desenvolvidos. Destaca, em seguida, que, a partir de Getúlio Vargas, o Brasil mergulhou no ambiente mundial de prevalência do Estado assistencialista e autocrático, intervindo em tudo: saúde, educação, previdência, economia... Entre nós, essa desastrada linha político-econômica atingiu o apogeu na Constituição Federal de 1988 e perdura até hoje, quando parece ter chegado ao clímax no lulopetismo e no governo atual. É dentro desse quadro histórico que o autor encontra a resposta à indagação que lhe dá título ao livro: somos atrasados porque continuamos prisioneiros do estatismo e porque viramos as costas para o liberalismo.

Esforça-se em seguida no sentido de propor caminhos de solução para nossa situação: inspirado pelo liberalismo, recomenda diminuir o Estado reduzindo suas funções e os poderes do chefe de governo, acabando com a centralização administrativa, atribuindo recursos tributários e responsabilidade administrativa aos Estados membros, diminuindo a burocracia, adotando o parlamentarismo, o voto distrital, o recall de mandato e a transparência tributária. Tudo para combater a excessiva centralização do poder, da qual resulta falta de transparência, custo espantoso e insuportável para os brasileiros, indiscutível ineficiência e carga tributária exorbitante e crescente; tudo o que impede a realização individual. Considera, em suma, indispensável valorizar a iniciativa privada, libertando-a das peias burocráticas que a inibem.

Por tudo isso, é uma obra que, se fosse utilizada como livro texto em nossas escolas, poderia abrir a cabeça dos jovens, facultando-lhes entender o Brasil de hoje para reconstruí-lo amanhã; libertar, enfim, os brasileiros da hipnose do Deus Estado, criando condições para um futuro melhor para nossa gente.

Como eu gostaria de poder ser o autor de um livro como este!



Fonte: Autor
17/4/2018

Versão para impressão

 

 

ACADEMUS.PRO.BR - E-mail: academus@academus.pro.br
© Copyright 2001-2018 Academus.pro.br - Todos os direitos reservados