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NOSSAS FORÇAS ARMADAS
Autor(a): Jacy de Souza Mendonça
Possui graduação em Direito pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul(1954) e doutorado em Direito pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul(1968). Atualmente é professor titular da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo e professor titular do Centro Universitário Capital

Nem durante nem depois da greve (?) dos caminhoneiros encontrei algum comentário sobre o papel das Forças Armadas durante o evento, por isso tomo eu mesmo, agora, a iniciativa de fazê-lo..

Com toda a evidência havia os que desejavam ardentemente que elas aproveitassem o ensejo para acabar com a bagunça de nossa administração pública, assumindo de vez o poder e, a partir daí, que utilizassem sua organização, força e disciplina para reprimir os arruaceiros, tendo em vista a gravidade do mal que estavam causando à nação.

Havia, por outro lado, os que, ressabiados pelo passado recente, principalmente aqueles que foram punidos como reprimenda à sua violência política, aqueles que desejavam já então colocar-nos no rumo que levou a rica Venezuela à situação em que se encontra hoje, temiam que elas se intrometessem e os punissem novamente, como fizeram no passado.

Não cabe aqui julgar o mérito das duas tendências. O fato é que nossas Forças Armadas não seguiram nem a um nem o outro desses caminhos. Durante a arruaça, apenas auxiliaram a Polícia Civil na manutenção da ordem e de um sistema de coleta de provas fotográficas de todas as ações criminosas que estavam sendo perpetradas; auxiliaram também aqueles que, por motivos de urgência, principalmente resultantes de questões de saúde, precisavam trafegar pelas vias públicas bloqueadas e conflagradas.

Cessada oficialmente a ação, as Forças Armadas passaram a colaborar com os motoristas que (por vontade própria ou não) estiveram no conflito, mas dele queriam se desvencilhar e só com essa ajuda poderiam retornar à tranquilidade de suas casas. Organizaram, em seguida, o reabastecimento das Distribuidoras e Postos de Gasolina, comboiando caminhões com combustível que deviam realizar esse trabalho no mais curto prazo possível. Em suma, só ajudaram!

É preciso deixar registrada uma moção de honra e agradecimento público por esses gestos de patriotismo e cidadania de nossos militares (brasileiros e patriotas como nós). Mesmo aqueles que um dia os criticaram lhes devem hoje um preito de gratidão.

 



Fonte: Autor
21/6/2018

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