Variedades

 
Tantas Palavras
Autor(a): Sérgio Roxo da Fonseca

O corpo de Maquiavel está enterrado em Florença.  Tantas palavras, poucas para descrever o seu gênio, é o que se lê na lápide. Cito de memória. É possível existir uma realidade intraduzível às palavras existentes? Como, por exemplo, a história de um homem? O meu mundo está limitado pela minha linguagem, segundo a primeira visão de Wittgenstein? Tenho que inventar uma nova linguagem para descrever um fato novo, por exemplo, se resolvo escrever sobre o nascimento das  assombrações?

 

Afirma-se que todas as linguagens têm a mesma plataforma lógica, muito embora haja notícia da existência de uma tribo amazônica que se comunica segundo outro e misterioso critério.

 

Se todas as linguagens exibem a mesma plataforma lógica, é fácil entender a possibilidade de se criar um cérebro eletrônico passível de ser manejado tanto por uma criança africana, como por um cientista alemão ou um militar norte-americano. A possibilidade ganhou concreção e o cérebro eletrônico foi rebatizado com o nome de computador que, como se sabe, é uma máquina tautológica cujas origens foram reveladas Aristóteles. Quer dizer que o grego foi o inventor do computador? Ou talvez, seu pai, ou, quem sabe, o seu tetravô? Um homem poderia criar um computador valendo-se de uma lógica não aristotélica? O que de básico foi por ele revelado?

 

As linguagens têm cinco conectivos. Talvez seis. O conjuntivo (e), o disjuntivo (ou), o condicional (se), o bicondicional (o se e somente se) e o final de negação. Nada mais que cinco ou seis.

 

O conjuntivo (e) será verdadeiro se ligar dois enunciados verdadeiros, como, por exemplo: eu sou brasileiro e violinista. Portanto se não sou brasileiro ou se não sou violinista, a proposição é falsa. Para ser verdadeira, é necessário que eu seja brasileiro ao mesmo tempo em que sou violinista.

 

O disjuntivo (ou) é menos exigente: eu sou brasileiro ou violinista. Basta ou ser brasileiro ou ser violinista para a proposição ser verdadeira. Mas há uma variante, quando se usa o conjuntivo excludente: É permitida a entrada de professores ou de alunos, o que significa dizer que é proibido o acesso a todas as outras pessoas.

 

O condicional somente será falso se o antecedente for verdadeiro e o consequente falso: se é verdade que estou em São Paulo então é falso que esteja em São Paulo. Na hipótese o conectivo é falso. Em todas as outras hipóteses será verdadeiro, ainda quando o antecedente e o consequente forem falsos: se a lógica é fácil então sou japonês. A lógica é difícil e sou brasileiro, é a verdade que indiretamente a frase quer comunicar. O exemplo é de Ricardo Guibourg.

 

O bicondicional somente será verdadeiro se o antecedente e o consequente forem verdadeiros: gosto de peixe se e somente se assado, o que equivale dizer que se for servido ensopado, não aceitarei.

 

Enfim, o sinal de negação converte o verdadeiro em falso e vice-versa.

 

Tantas palavras e apenas cinco ou seis conectivos tanto para a matemática, como para a física, tanto para o português como para o chinês, tanto para o avião como para o submarino. A realidade humana pode ser infinita mas somente pode ser descrita desta maneira. O computador está aí para demonstrar a importância do que foi revelado por Aristóteles e que pouco ou quase nada foi alterado até hoje.



Fonte: Cedido pelo autor
23/5/2013

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